Esta pergunta surge a todo momento e isso e natural porque Brasilia, aos 50 anos, esta em busca de sua identidade e os modos de falar de uma comunidade sao a principal marca identitaria. Um sotaque se forma ao longo de varias geracoes. No Brasil, os sotaques mais consolidados sao justamente os que marcam as cidades fundadas no periodo colonial, algumas com mais de quatrocentos anos. Brasilia vive ainda a sua infancia, talvez a adolescencia. Ainda e cedo para a consolidacao de modos de falar que a distingam das outras cidades brasileiras. No entanto, pode-se perceber que ha uma tendencia presidindo ao processo de sua formacao dialetal, que pode ser descrita assim: os modos de falar observados em Brasilia nao absorvem nem conservam os tracos salientes dos sotaques de outras regioes. Embora aqui convivam brasileiros de todos os quadrantes, nao se percebem em sua fala, sejam eles nativos ou adotados, aqueles tracos que sao reconhecidos como marcas de suas regioes de origem. Podemos dizer que em Brasilia os estereotipos dialetais sao limados e nao se perpetuam. Chegam com os grupos que elegem Brasilia como moradia, mas esses tracos nao resistem a passagem de geracoes. O brasiliense nao adota qualquer grupo regional como um grupo de referencia, cuja fala queira imitar. No portugues falado em Brasilia todos os falares regionais tem guarida mas nao proliferam as tipicidades a eles relacionadas. Contudo, quando um individuo opta por permanecer imerso em uma rede social pre-migratoria muito densa, tendera a preservar alguns tracos proprios dos modos de falar do grupo pre-migratorio, mas essas sao excecoes, nao a regra. Este livro trata desse processo complexo de formacao de marcas linguisticas identitarias, que e examinado na articulacao de tres movimentos presentes na sociedade brasileira: 1o a transicao do rural para o urbano; 2o do regional para o suprarregional e 3o da cultura de oralidade para a cultura de letramento.
O FALAR CANDANGO
SKU: 9788523012410
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